Gente linda do meu Brasil, perdoem o abandono, as teias de aranha, o pó acumulado sobre os posts antigos e as fotos amareladas que já se despregam da tela do computador e caem sobre vossos brilhantes teclados. Acontece que eu estou escrevendo um ROMANCE e isso me (preparem-se porque eu vou escrever uma palavra ridícula e chavão de escritor fazendo pose e um e dois e lá se vão os) absorve completamente. Vim até para um sítio, para me afastar de todas as coisas boas e ruins (as boas, principalmente) que se interpõem entre mim e ele, o livro, meu senhor. Pois é assim que me sinto. Sou escravo desse troço. Como disse Vargas Llosa num livro que estou lendo (Cartas a um jovem romancista, ou seja, a mim) é como ter uma tênia, a rainha das lombrigas, dentro do intestino. Tudo o que eu como, faço, penso, vejo e sinto vai parar na bicha. E a bicha é o ROMANCE. Com todo respeito às bichas, às tênias e aos ROMANCES. Pois então é isso. É uma coisa ou outra. Na verdade é só uma coisa e nada mais.
Vamos ao post que é sobre: O Fim dos tempos...
Como bem sabem os tementes a Deus, mais dia, menos dia, Jesus voltará. Abrirá os sete selos, sete anjos surgirão no céu, tocarão sete trombetas e aí, meu amigo, a coisa vai ficar realmente cabulosa para quem não fez a lição de casa. A linguagem bíblica, no entanto, é muito cifrada: anjo não é bem anjo, selo não é selo e trombeta não é trombeta. Eu, como bom paranóico, estou sempre atento aos sinais. Foi assim que me dei conta, hoje cedo, de que o apocalipse já havia chegado. Pelo menos no meu quarto.
Às sete trombetas dão-se os nomes de E-mail, MSN, celular, telefone, Orkut, Google Talk e SMS. Cada um tem um barulinho diferente, todos o mesmo intuito: interromper o fluxo do meu pensamento, inviabilizar o trabalho, sabotar o amor, picar a outrora lenta e introspectiva narrativa das minhas tardes como cebola para um refogado. Não consigo fazer mais nada. Passo os dias aflito, respondendo um “olá” de Natal, um “tá aí?” de Pinheiros, um “quanto tempo” do pré-primário e outros amistosos cutucões proporcionados por Bill Gates, Graham Bell e pela insaciável sociabilidade de nossa gente . É o fim dos tempos.
Outra noite tive um pesadelo que ilustrava bem o meu atoleiro eletrônico-social. Eu tentava escrever um texto, enquanto empurrava com um rodo um espesso mingau que entrava por debaixo da porta, pelas frestas das janelas, pelos furos das tomadas. Debalde: a gosma invasiva voltava, sempre, como a pedra de Sísifo.
Sísifo, no entanto, foi condenado pelos deuses a empurrar eternamente aquela rocha morro acima. Já o bocó aqui aderiu de livre e espontânea vontade a todas as formas de bips, plins, trrrrlins e tum tuns disponíveis no mercado. Por que? Não sei. Agora mesmo, entre o fim do último parágrafo e o começo deste, fiz pela décima vez no dia o triste triatlon da carência virtual: e-mail-orkut-anti-spam. Que scrap é esse que espero encontrar no Orkut? Que pessoa misteriosa aguardo no MSN? Que mensagem redentora buscamos, eu e a boa parcela da humanidade, conectados às trombetas eletrônicas?
Só pode ser Jesus, minha gente. Qualquer dia desses, receberemos um scrap do Cordeiro, ou quem sabe uma mensagem via SMS, MSN, Google Talk, telemarketing e e-mail, anunciando a Sua volta. O juízo final chegará com winks e emoticons. E ai de quem não tiver feito lição de casa, estiver off-line, sem sinal ou deixar de conferir o anti-spam...
P.S.: Estou tentando modelar os post do meu blog, me deram um toque de que estava filósofico demais.P.P.S.: Agora pra surpresa de vocês e minha também estarei postando aqui sempre, não digo todos os dias e sim uma vez por semana ou de quinze em quinze dias, ou uma vez por mês. P.P.P.S.: Perai uma vez por mês já escrevo sempre, kkkkkkkkkkk.P.P.P.P.S.: Vou me esforçar, esperem pra ver minhas histórias na China, são de rolar de rir. Pelo menos pra vocês, resolvi tirar-lás dos arquivos.